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sexta-feira, 27 de dezembro de 2013

LUTO



O luto é um processo que se inicia com a perda propriamente dita e se desenrola até o período de sua elaboração, quando o indivíduo enlutado volta-se, novamente, ao mundo externo. Para Freud (1916) “luto é a reação à perda de um ente querido, à perda de alguma abstração que ocupou o lugar de um ente querido, como o país, a liberdade, o ideal de alguém e assim por diante”.
Para a Psicanálise, desde que o luto seja superado, ele não é considerado uma condição patológica, mesmo que traga consigo grandes mudanças no estilo de vida de quem o vivencia, tal como a perda de interesse por atividades do cotidiano e pelo convívio social.  As 5 fases dos luto:

Primeira fase: Negação
               Nessa fase a pessoa nega a existência do problema ou a situação. Pode não acreditar na informação que está recebendo, tentar esquecê-la, não pensar nela ou ainda buscar provas ou argumentos de que ela não é a realidade.
Pensamentos: “Isso não é verdade!”; “vai passar”; “sempre dou um jeito em tudo; vou resolver isso também”.
Comportamentos: Buscar uma segunda opinião ou outras explicações para a questão; continuar se comportando como antes ignorando a situação; não aderir ao tratamento no caso de doença ou não falar sobre o assunto no caso de morte, desemprego ou traição.

Segunda fase: Raiva
Nessa fase a pessoa expressa raiva por aquilo que ocorre. É comum o aparecimento de emoções como revolta, inveja e ressentimento. Geralmente essas emoções são projetadas no ambiente externo; percebendo o mundo, os outros, Deus, etc. como causadores de seu sofrimento. A pessoa sente-se inconformada e vê a situação como uma injustiça.
Pensamentos: “Por que eu?”; “Isso não é justo!”; “Por que fizeram isso comigo?”.
Comportamentos: Perde a calma quando fala sobre o assunto, recusa-se a ouvir conselhos e evita falar sobre o assunto.

Terceira Fase: Negociação
      Nessa fase busca-se fazer algum tipo de acordo de maneira que as coisas possam voltar a ser como antes. Essa negociação geralmente acontece dentro do próprio indivíduo ou às vezes voltada para a religiosidade. Promessas, pactos e outros similares são muito comuns e muitas vezes ocorrem em segredo.
Pensamentos: “Vou acordar cedo todos os dias, tratar bem as pessoas, parar de beber, procurar um emprego e tudo ficará bem; vou pensar mais positivamente e tudo se resolverá; Deus deixe-me ficar bem de saúde, só até meu filho crescer (pessoa ao saber que está doente)”.
Comportamentos: Rezar e fazer um acordo com Deus; buscar agradar (no caso de uma traição); se alimentar com produtos light e diets para compensar os outros alimentos.

Quarta fase: Depressão
 Nessa fase ocorre um sofrimento profundo. Tristeza, desolamento, culpa, desesperança e medo são emoções bastante comuns. É um momento e que acontece uma grande introspecção e necessidade de isolamento.
Pensamentos: “Não tenho capacidade para lidar com isso”; “nunca mais as coisas ficarão bem”, “eu me odeio”.
Comportamentos: Chorar; afastar-se das pessoas, comportar-se de maneira autodestrutiva.

Quinta fase: Aceitação
Nessa fase percebe-se e vivencia-se uma aceitação do rumo das coisas. As emoções não estão mais tão à flor da pele e a pessoa se prontifica a enfrentar a situação com consciência das suas possibilidades e limitações.
Pensamentos: “Não é o fim do mundo”; “Posso superar isto”, “Posso aprender com isto e melhorar”.
Comportamentos: Buscar ajuda para resolver a situação; conversar com outros sobre o assunto, planejar estratégias para lidar com a questão.

As pessoas não passam por essas fases de maneira linear, ou seja, elas podem superar uma fase, mas depois retornar a ela, estacionar em uma delas, sem ter avanços por longo período ou ainda suplantar todas as fases rapidamente até a aceitação.
Não há regra, tudo depende do histórico de experiências da pessoa e crenças que ela tem sobre si mesma e sobre a situação em questão.
Tem pessoas que podem passar meses ou anos num vai e vem e não chegar à aceitação nunca. Tem pessoas que em poucas horas ou dias fazem todo o processo, isso varia também em função da perda sofrida pela pessoa.

Tatiane Pombo Perez
Psicóloga CRP: 06/109924

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