quarta-feira, 17 de setembro de 2014

NUTRIÇÃO




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segunda-feira, 1 de setembro de 2014

Critérios diagnósticos para os Transtornos de Aprendizagem


Os critérios diagnósticos dos transtornos de aprendizagem (TA) são encontrados na CID-10 e no DSM-IV no Brasil, manuais diagnósticos usados no mundo todo, como já foi citado anteriormente. O DSM-V foi lançado em Maio de 2013, mas até o momento, não existem versões traduzidas no Brasil. Inicialmente, vou falar a respeito dos critérios diagnósticos presentes na CID-10 e no DSM –IV para posteriormente comentar o que foi alterado para o DSM-V(APA, 2002; 2013; OMS, 2000)..
Os TA na literatura científica são divididos em dislexia do desenvolvimento, discalculia do desenvolvimento e disgrafia do desenvolvimento, contudo, nos manuais diagnósticos estes transtornos aparecem com outros nomes, sendo assim, para facilitar a compreensão destes manuais, segue abaixo uma tabela com os termos utilizados em cada manual.



CID-10
DSM-IV
Dislexia
Transtorno específico da leitura
Transtorno da Leitura
Discalculia
Transtorno específico de habilidades aritméticas
Transtorno da Matemática
Disgrafia
Outros transtornos das habilidades escolares
Transtorno da expressão escrita
Fonte: OMS (2000), APA (2002)

A CID - 10 situa os problemas referentes à aprendizagem na classificação Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81)

 (...) são transtornos nos quais os padrões normais de aquisição de habilidades são perturbados desde os estágios iniciais do desenvolvimento. Eles não são simplesmente uma consequência de uma falta de oportunidade de aprender nem são decorrentes de qualquer forma de traumatismo ou de doença cerebral adquirida. Ao contrário, pensa-se que os transtornos originam-se de anormalidades no processo cognitivo, que derivam em grande parte de algum tipo de disfunção biológica (CID - 10, 1993: 236).

Fazem parte da categoria Transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares (F81), as seguintes subcategorias:

F81.0 - Transtorno específico da leitura
F81.2. - Transtorno específico de habilidades aritméticas
F81.8 Outros transtornos das habilidades escolares 

De acordo com a CID - 10, os transtornos específicos do desenvolvimento das habilidades escolares são compostos por grupos de transtornos manifestados por comprometimentos específicos e significativos no aprendizado de habilidades escolares, comprometimentos esses que não são resultado direto de outros transtornos, como o retardo mental, os déficits neurológicos grosseiros, os problemas visuais ou auditivos não corrigidos ou as perturbações emocionais. 

            De acordo com o DSM – IV a seção sobre transtornos de aprendizagem inclui:

315.00 - Transtorno da Leitura,
315.1 - Transtorno da Matemática,
315.2 - Transtorno da Expressão Escrita

Segundo o DSM- IV para que ocorra um diagnóstico de transtorno de aprendizagem, os resultados do indivíduo em testes padronizados e individualmente administrados de leitura, matemática ou expressão escrita precisam estarsubstancialmenteabaixo do esperado para sua idade, escolarização e nível de inteligência. 
 Quando dizemos que os testes devem estar substancialmente abaixo da média, consideramos uma discrepância de mais de 2 desvios-padrão entre rendimento nos testes de leitura, escrita e matemática e entre os testes de QI. 
Outro critério é que os problemas de aprendizagem devem interferir significativamente no rendimento escolar ou nas atividades da vida diária que exigem habilidades de leitura, matemática ou escrita. Variados enfoques estatísticos podem ser usados para estabelecer quando uma discrepância é significativa. Além disso, deve-se excluir a presença de disfunção visual, auditiva ou neurológica.
Como podemos perceber, para realizar o diagnóstico a partir da CID-10 e do DSM- IV precisamos avaliar a leitura, a escrita e a matemática através de provas / testes padronizados e normatizados para população brasileira de leitura, escrita e matemática que levam em consideração a idade e a escolaridade para que possamos perceber se a pessoa tem o desempenho significativamente inferior aos seus pares. Além disso, é preciso garantir a preservação da inteligência através de testes de Q.I e excluir problemas sensoriais (visão e audição), assim como problemas neurológicos (paralisia cerebral, tumores, epilepsia, etc).
O DSM-V lançado em Maio de 2013 traz algumas mudanças, os critérios podem ser divididos em quatro itens:

A. Definição das características-chave do transtorno
B. Mensuração das dificuldades presentes
C. Idade de início do transtorno
            D. Critérios de Exclusão

             A principal mudança, descrita no critério A é que os transtornos não são mais divididos em transtorno específico de leitura, matemática ou expressão escrita, tudo se tornou uma única categoria, ou seja, tornaram-se Transtornos Específicos de Aprendizagem, contudo existe uma especificação das sub-habilidades prejudicadas, as características principais dos transtornos são mostradasno quadro a seguir:

 



Além disso, os sinais referentes ao critério A devem incluir a persistência das dificuldades apesar de intervenção específica (RTI). A Resposta à Intervenção, também chamada de RTI (do Inglês, Response toIntervention) surgiu para prevenir dificuldades de aprendizagem e comportamentais por meio da aplicação em sala de aula de intervenções baseadas em evidências científicas. Sendo assim, pessoas que apresentam dificuldades de aprendizagem precisam passar por intervenções adequadas, e se mesmo assim mantiverem estas dificuldades, provavelmente esta pessoa possui um TA, uma vez que é possível garantir que estas dificuldades não são decorrentes de uma má instrução escolar.
            Em relação ao critério B, ainda é necessário utilizar testes psicométricos que avaliam as habilidades escolares, contudo, não é mais necessário diferença substancial de 2 desvios padrão entre as medidas de testes de desempenho (leitura, escrita e matemática) e de testes de Inteligência (QI). Sugere-se apenas que nos testes que avaliam leitura, escrita e matemática, o ponto de corte seja de pelo menos 1,5 desvio-padrão abaixo da norma para a idade/escolaridade para que um resultado seja considerado deficitário e indicativo de um TA.
            Sobre a idade do início do transtorno (critério C), os sinais devem estar presentes desde os primeiros anos escolares, sendo as principais dificuldades tornam-se evidentes quando as demandas escolares excedem as capacidades dos alunos.
            No que diz respeito aos critérios de exclusão, eles se mantém iguais às versões anteriores, ou seja, para ter um transtorno específico de aprendizagem, devem ser excluídas a deficiência intelectual, o atraso global de desenvolvimento, problemas sensoriais (visão e audição), problemasneurológicas/mentais, instrução inadequada e adversidades psicológicas e sociais.
            Outra alteração significativa que aconteceu no DSM-V foi a inclusão de níveis de severidade nos Transtornos Específicos de Aprendizagem, como descrito no quadro abaixo:



Cindy Pereira de Almeida Barros Morão
Neuropsicóloga CRP: 06/108.188