quinta-feira, 24 de abril de 2014

Dificuldades de aprendizagem X transtornos de aprendizagem



A aprendizagem se passa no sistema nervoso central, contudo, apesar disso, nem sempre ele é o responsável pelo fracasso escolar. Muitas crianças têm apresentado dificuldades no processo de aprendizagem. Entretanto, diferente do que muitos pensam, as dificuldades não estão presentes apenas em países como o Brasil, sabe-se que em países desenvolvidos, como os Estados Unidos, de 20% a 30% dos alunos apresentam dificuldades acima da média para conseguirem aprender.
No que diz respeito ao Brasil, levando-se em consideração os dados publicados pelo INEP (2002), existem quarenta milhões de alunos matriculados no ensino fundamental, deste total, 40% apresentam dificuldades de aprendizagem. De acordo com os dados de prevalência no Brasil, aproximadamente de 3% a 5% dos alunos, apresenta algum tipo de transtorno de aprendizagem, dessa maneira, todo o restante dos alunos que apresentam dificuldades no aprendizado tem outros motivos para suas dificuldades.
Os problemas de aprendizagem podem ser divididos em: dificuldades de aprendizagem e transtornos de aprendizagem. As dificuldades se referem a questões pedagógicas, ambientais e /ou emocionais e os transtornos de aprendizagem são quadros de origem neurobiológica que apresentam aspectos etiológicos, cognitivos e comportamentais bem delineados, interferem significativamente no desempenho escolar e afetam o cotidiano do indivíduo.
Os transtornos de aprendizagem são de três tipos e se caracterizam por dificuldades persistentes na leitura (Dislexia), na escrita (Disgrafia) e/ou na aritmética (Discalculia). Estes transtornos são caracterizados pelo desempenho significativamente abaixo do esperado em provas padronizadas que avaliam a leitura, no caso da dislexia, na escrita, no caso da disgrafia e na aritmética, no caso da discalculia, em comparação com desempenho de pessoas com a mesma idade, inteligência e escolaridade, sendo que este mau desempenho não pode ser justificado por problemas emocionais, ambientais, sensoriais e neurológicos.
Uma vez que apenas de 3% a 5% dos alunos apresentam transtornos de aprendizagem, é possível dividir didaticamente os fatores envolvidos nas dificuldades de aprendizagem em três, fatores relacionados com: a escola; o aluno e; a família.
1-Fatores relacionados com a escola – para que os alunos apresentem um bom desempenho é necessário que a escola ofereça condições adequadas para que isso aconteça, como: condições físicas de sala de aula, condições pedagógicas e, condições do corpo docente.
2-Fatores relacionados com a família – para que a aprendizagem aconteça, a família também deve oferecer condições adequadas. Sabe-se que algumas condições são relevantes e muitas vezes influenciam no fracasso escolar, como desagregação familiar, renda familiar insuficiente, história de alcoolismo, drogadição, e comportamento antissocial.
3-Fatores relacionados ao aluno – em relação aos alunos, podem-se distinguir entre os problemas físicos gerais (dificuldades sensoriais, patologias endócrinas, desnutrição, parasitoses, anemias, doenças reumáticas, nefropatias, cardiopatias, problemas respiratórios, hepatopatias, doenças imunoalérgicas, etc), problemas psicológicos (timidez, insegurança, ansiedade, baixa autoestima, necessidade de afirmação e baixa motivação), transtornos psiquiátricos (fobias, transtornos de humor, psicoses, comportamento opositor desafiante, comportamento antissocial, etc), patologias neurológicas (paralisia cerebral, tumores, epilepsia, etc), transtornos de aprendizagem, além de deficiência intelectual.
Dessa maneira, quando um aluno tem dificuldades de aprendizagem, essas dificuldades podem ter inúmeras causas, assim sendo, para que aconteça um tratamento eficiente, é indispensável uma avaliação onde é possível identificar a causa destas dificuldades para que o profissional da saúde e educação possa estabelecer metas para o seu trabalho.

Cindy Pereira de Almeida Barros Morão
Psicóloga/Neuropsicóloga – CRP: 06/108188

quarta-feira, 23 de abril de 2014

Os desafios da inclusão escolar no século XXI

 
         Os portadores de deficiência e a inclusão escolar
A questão da inclusão escolar de crianças portadoras de algum tipo de deficiência (física, intelectual...) é amplamente discutida pelos meios de comunicação, pela sociedade, nas escolas ou nas leis, tais como ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), LDB (Lei de Diretrizes e Bases), Constituição Federal. Estas possibilitaram direitos aos portadores de deficiência de ir e vir, de trabalhar, de escolher se querem estudar em escolas especializadas ou em escolas da rede regular de ensino.
História da deficiência
A maneira de se ver a deficiência se modifica de acordo com o momento histórico e a ideologia que permeia a sociedade. No entanto, independentemente da época, o portador de deficiência é visto como um ser humano diferente, não estando de acordo com as normas estabelecidas na sociedade.
Na Idade Antiga, os atributos físicos eram valorizados, por isso, o portador de deficiência era o indivíduo que não podia realizar ações que promovessem sua própria subsistência, pois acarretava um ônus à sociedade. Assim por não servir à sociedade, era abandonado ou sacrificado.
Na Idade Média, a deficiência era vista de duas maneiras: os portadores de deficiências eram considerados bruxos e feiticeiros, por se acreditar que estavam ligados ao demônio, sendo condenados à fogueira pela inquisição ou, por influência do Cristianismo, eram vistos como crianças do bom Deus, que representavam a pureza e a inocência. Ainda na idade média, a partir do século XIV, o Estado cria instituições (abrigos) com o propósito de excluir da sociedade, os portadores de deficiência, para se ter um controle dos problemas sociais e gerenciar os bens e as propriedades dessas pessoas.
Na Renascença e Idade Moderna, com início da era científica, foram elaboradas teorias para tentar explicar a deficiência na qual passou a ser vista como uma doença, ou sequela de uma. A partir disso, eram levados para abrigos ou hospitais para serem disciplinados. Daí apareceu a classificação errônea de imbecis, cretinos e idiotas.
O século XX é caracterizado pela preocupação quanto à inserção dos portadores de deficiências na sociedade, já que neste momento não viviam mais em regime de internato.
Na década de 60, no Brasil, mais precisamente em São Paulo, surge a APAE (Associação de Pais e Amigos dos Excepcionais). 
No entanto, foi no ano de 1994 que houve uma grande mudança com a Declaração de Salamanca.
A Inclusão Escolar
A Declaração de Salamanca afirmava que todos tenham uma educação de qualidade. Nela, se reafirmou que todos têm direito à educação, independente de suas condições físicas, intelectuais, sociais, lingüísticas e outras, ou seja, não importando quais as dificuldades ou diferenças que elas possam ter.
Já no Brasil, há algumas décadas, a questão de se ter alunos com necessidades especiais no ensino regular, é garantida por constituições brasileiras. Porém, é com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990 e as novas Leis de Diretrizes e Bases (LDB), de 1996, que se contemplaram a inclusão dos portadores de deficiência nas escolas regulares. No ECA, no capitulo IV, artigo 54, inciso III, foi estabelecido que “é dever do Estado assegurar à criança e ao adolescente: atendimento educacional especializado aos portadores de deficiência preferencialmente na rede regular de ensino” (BRASIL, 2002, p. 39). E na LDB, no capítulo V, artigo 58, se dá a obrigatoriedade de escolas aceitarem alunos portadores de deficiência, preferencialmente em escolas da rede regular. Sendo que no parágrafo 1º, se decretou que “haverá, quando necessário, serviços de apoio especializado, na rede regular para atender às peculiaridades da clientela de educação especial”.
Como consequência de todas essas leis, houve mudanças que permitiram uma maior aceitação dos portadores de deficiências, entre elas: as diferenças de um portador de deficiência passaram a ser entendidas como características naturais dele, fazendo com que a escola possa se centralizar nas qualidades da criança e não no que ele não pode fazer. Para isso, a escola teve que adaptar seus currículos, criar espaços físicos sem barreiras, mas o ideal ainda está longe de acontecer, pois, muitos professores não têm formação, nem curricular nem psicológica, para proporcionar uma educação para todos e os acabam deixando lado.
Por conta das leis e de suas conseqüências, é importante procurar uma diagnóstico, através de uma avaliação e uma psicoterapia, não para as crianças, mas também para os pais. 

Marcelli de Freitas
Psicóloga / Psicopedagoga – CRP: 06/117371